Memória de Canudos chega à 28ª Bienal de SP com novo livro de romance "Entre a Cruz e a Espada" de Carlos Carneiro
O escritor e dramaturgo baiano Carlos Carneiro participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Distrito Anhembi, onde lança no dia 10 de setembro seu novo romance histórico: Entre a Cruz e a Espada. A obra tem como pano de fundo as tensões sociais, religiosas e políticas que culminaram na Guerra de Canudos (1896–1897).
- Por Gil Figueroa
9/4/20265 min read


O sertão nordestino, com sua aridez, sua poesia e sua história de resistência, ganhou voz na literatura de Carlos Carneiro. Residente em Euclides da Cunha, cidade baiana que fica a 80 quilômetros de Canudos.
Após passar pela Bienal do Livro da Bahia em abril de 2026, Carneiro se prepara para o maior desafio de sua carreira: a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, onde lançará seu novo trabalho, Entre a Cruz e a Espada, no dia 10 de setembro.


No entanto, antes de conquistar os palcos das grandes bienais com seus livros, Carlos Carneiro já era uma figura central nos palcos teatrais. A experiência mais transformadora e marcante de sua trajetória artística aconteceu ao longo de oito anos dedicados à cena. Entre 2010 e 2018, Carneiro esteve à frente da Cia Teatral de Canudos como diretor, um período que pode ser definido como sua verdadeira escola de vida e de arte. Sob sua batuta, a companhia não se limitou a encenar espetáculos; ela se tornou um ativo instrumento de resistência cultural e de transformação social no município de Canudos
Durante essa década prodigiosa, o diretor conduziu o grupo com uma visão que transcendia o mero entretenimento. Ele transformou a Cia Teatral de Canudos em um celeiro de memórias e em um palco vivo das narrativas esquecidas da Guerra de Canudos, desenvolvendo projetos sociais que levavam arte, cidadania e pertencimento às cidades da região e outros estados, com São Paulo e Ceara. Essa imersão profunda no cotidiano e na alma do povo sertanejo não foi um capítulo à parte em sua vida; ela construiu integralmente a sua escrita. Ao transitar diariamente pelos cenários áridos e pelas histórias de luta e fé que marcam a região, Carneiro deixou de ser um mero observador para se tornar um verdadeiro depositário das memórias de Canudos. Essa vivência confere a obras como Mané Vermei: um sertanejo de Canudos e o inédito Entre a Cruz e a Espada uma autenticidade dramática e uma densidade histórica ímpares, que poucos autores conseguem alcançar sem ter vivido a arte na pele e no chão do sertão.


Transformado por essa bagagem teatral, Carneiro expandiu seu trabalho para o circuito literário do interior baiano, participando ativamente de feiras que celebram a cultura e a história do sertão. Sua trajetória inclui passagens pela FLICAN - Feira Literária Internacional de Canudos, evento que ocorre na cidade histórica de Canudos, na Flicumbe - Feira Literária de Euclides da Cunha, na Flivillas - Festa Literária de Vilas do Atlântico e região, na Fliqui - Feira Literária de Quijingue e na FLIVA - Feira Literária de Valente. Eventos que reforçam o movimento de descentralização da cultura e dão visibilidade a autores do interior do estado.
Carlos Carneiro ganhou projeção nacional com Mané Vermei: Um Sertanejo de Canudos, obra que retrata com sensibilidade e crueza a vida no sertão, tendo como pano de fundo a história de Mané Vermei. O livro é descrito pela editora Mepe como "um retrato vívido e comovente da vida no sertão nordestino", onde o protagonista personifica "a força do povo de Canudos, enfrentando a falta de políticas públicas, a seca, a injustiça e a violência com dignidade e determinação". A mão do diretor teatral é visível em cada página, na construção dos diálogos e na encenação das cenas de luta e sobrevivência.






A participação de Carlos Carneiro na Bienal do Livro da Bahia 2026 foi um marco em sua carreira. Ele foi um dos 84 autores selecionados pelo edital Vozes da Bahia, iniciativa da Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado. O programa objetivou valorizar escritores de diferentes regiões do estado, promovendo a diversidade literária e ampliando o acesso à cultura.
Nesse momento, o novo livro de Carlos Carneiro dá um passo ainda mais audacioso em sua carreira. No dia 10 de setembro, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro no Distrito Anhembi, o autor lançará Entre a Cruz e a Espada. A obra promete aprofundar o olhar do escritor sobre as tensões históricas e sociais que marcam o conflito da Guerra de Canudos, com um romance histórico que mantém a veia crítica e o compromisso com a memória, marcas já presentes em seu trabalho anterior e lapidadas nos anos em que comandou a companhia teatral.
Carneiro se junta a uma programação que reúne nomes consagrados da literatura nacional e internacional, consolidando a presença da literatura do interior baiano no principal evento literário do país, é Canudos presente na literatura, no orgulho e no prazer do autor em exaltar as nossas raízes.
A trajetória de Carlos Carneiro é a prova viva de que a literatura brasileira continua sendo feita também fora dos grandes centros, e que a arte não se restringe a uma única forma de expressão. Com Mané Vermei, ele levou a história de Canudos para leitores de diversos cantos do país. Com Entre a Cruz e a Espada, promete ir além, consolidando seu nome como um dos intérpretes mais originais do sertão e de suas contradições, um legado que começou a ser construído não nas estantes, mas sob os holofotes da Cia Teatral de Canudos, entre 2010 e 2018, onde a poeira da caatinga encontrou a magia do palco.
O público da Bienal de São Paulo terá a oportunidade de conhecer de perto esse autor que, como poucos, consegue transformar a poeira e o sol da caatinga em palavras que ecoam muito além de sua terra natal.
Serviço: Lançamento do livro Entre a Cruz e a Espada, de Carlos Carneiro.
Onde: 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo – Distrito Anhembi
Quando: 10 de setembro de 2026, às 15h.
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